Um dia vi os desenhos de um primo, que eu só o via nas férias de agosto e fiquei fascinada. Perguntei-lhe como é que ele conseguia desenhar tão bem e ele disse-me que desenhava por observação. Fiquei intrigada, (lembro que eu andava na escola primária e ele tinha mais anos que eu) e para mim aquilo era algo que eu nunca tinha visto.
Desenhar? Eu nunca tinha desenhado e pensei se ele consegue, eu também consigo. Fiz as minhas tentativas e até não correu nada mal, para uma criança é claro!
Depois conheci a minha amiga de infância, a Elisabete. Quando saiamos da escola, era frequente eu ir até casa dela. Nos brincávamos, estudávamos e até fazíamos as nossas brincadeiras sem maldade, que implicava papelinhos, que ficou só entre nós.
A Elisabete mostrou-me a sua biblioteca dos Patinhas. Tinha tantos livros que eu fiquei ooh!
Eu já tinha visto a biblioteca do meu Pai, que é uma apaixonado pela leitura, mas nunca me tinha interessado por ela, porque era só livros grandes e grossos.
A biblioteca da Elisabete era outra história. Pedi-lhe para me deixar levar para casa um livro e lembro-me que o devorei. No dia seguinte levei o livro e ela disse-me que eu podia levar um de cada vez, desde que eu os estimasse. E foi com ela que eu aprendi a gostar de ler. Diga-se de passagem que os li todos.
É aqui que entra também a minha paixão pelo desenho. Eu depois de ler um livro, comecei a desenhar por observação as capas dos Patinhas e quanto mais confusão tinha, mais eu gostava de desenhar.
Tenho a agradecer a estas duas pessoas que introduziram na minha vida o desenho e a leitura. Obrigada!
Nota: não tenho os desenhos dos Patinhas para vos mostrar, mas fica aqui um coração para os meus dois mentores.

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